O PT, maior agremiação partidária da esquerda na América Latina, vê sua estrela apagada no Maranhão, devido à atuação de seus dirigentes estaduais. Eles não conseguem aproveitar a benevolência do eleitor. Para se ter uma ideia, Lula e o PT nacional nunca perdem no estado. Na última eleição, obtiveram 71,14% dos votos. Por que esses votos não são transferidos para os candidatos locais?
Os prejuízos que os dirigentes causam para a esquerda brasileira
Na Bahia, Lula ganhou com 72,12% dos votos. O partido governa o estado há bastante tempo e tem senadores, deputados, prefeitos e vereadores. No Ceará, Lula obteve 69,97% dos votos. O PT governa o Ceará e várias cidades. Em Pernambuco, Lula conseguiu 66,93% dos votos, e o PT local é uma referência histórica. No Piauí, Lula recebeu a maior votação: 76,86%. O partido governa o estado há décadas.
E no Maranhão? Aqui, Lula alcançou 71,14%. É votação extraordinária, e não é a primeira vez. Mas o partido não capta o desejo do eleitor para os seus quadros estaduais. Nos outros estados, os dirigentes convertem esses votos em avanço interno. No Maranhão ocorre o oposto, e a legenda afasta o eleitor. Quando o partido elege um deputado, aparece muitos lutando para puxar-lhe o tapete, por pura inveja.
Dois grandes problemas cercam o partido
As reuniões internas parecem um ringue de luta sem regras. O eleitor quer votar nos candidatos do partido, mas as brigas internas não deixam as campanhas crescerem. Os dirigentes mostram dois graves defeitos. O primeiro é o enorme interesse pessoal. Eles sempre focam no que podem ganhar individualmente. Esse desejo de levar vantagem em tudo é grotesco, não é Socialismo. Outro defeito pecaminoso, é o excesso de vaidade (superego) e ganancia. Eles acreditam que sabem mais que os outros e buscam vantagens pessoais. E´ assim que o partido fica na lanterna.
Os grupos políticos de direita no estado usam essa vaidade, e há tempos mandam e desmandam no PT.
Constantemente, o diretório nacional precisa intervir para solucionar os problemas criados pela meninada no estado.
PT Goiano
La a situação é diferente. Acompanhei de perto, e vi muitos quadros brigarem, debaterem, discutirem, irem para o confronto, porém, sabiam dialogar e liderar. Não há o mesmo nível de disputa destrutiva. Por isso, que lá pude ver vereadores petistas se tornarem deputados, prefeitos e senadores. As correntes internas aceitam a democracia quando perdem algo. No Maranhão, a discussão interna não amplia a democracia; pelo contrário, a derriba.
Felipe Camarão
Ele é um ótimo quadro do partido, mas já lhe sabotam na pré-campanha. Espera-se que ele consiga avançar, mesmo rodeado de tantos “companheiros”, que agem contra o próprio grupo. No Maranhão, pode-se afirmar: o maior inimigo do PT é o próprio PT.