Geral Governo
Fapema celebra o 25 de julho com destaque para iniciativas que reconhecem a luta e a contribuição das mulheres negras
No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha (25 de julho), a fundação realizará sessão de autógrafos da coletânea “Políticas ...
24/07/2025 18h25
Por: Hilton Lima Fonte: Secom Maranhão

A Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema) se destaca no incentivo direto a pesquisas, projetos e publicações voltadas à valorização das mulheres negras e de suas produções. Neste 25 de julho, em que se celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a fundação renova seu empenho contínuo com a equidade racial e de gênero, ao possibilitar a concretização de ações acadêmicas, científicas e culturais, que contribuem para reconhecer as mulheres negras na sociedade.

Marcando a data, a Fapema, em parceria com a Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial (Seir), promoverá sessão de autógrafos da coletânea “Políticas de promoção da igualdade racial no Maranhão”, na Casa do Tambor de Crioula, rua da Estrela, Centro Histórico de São Luís, nesta sexta-feira (25), a partir das 14 horas. São dois volumes que reúnem práticas inovadoras e estudos sobre as contribuições dos povos negros e indígenas no cenário cultural do Maranhão.

Para o presidente da Fapema, Nordman Wall, incentivar propostas como esta é um viés institucional e soma às demais ações de Governo para ampliar está valorização. “Ao longo dos anos, a Fapema tem financiado inúmeras pesquisas e concretizado publicações, que abordam o protagonismo da mulher negra e a equidade de gênero. E este é o papel da Fapema, contribuir para romper barreiras, apoiando projetos que afirmem essas vozes e ampliem o debate acadêmico, institucional e social”, afirmou.

A coletânea, organizada por Elaine Cristina Ferreira Dutra, apresenta uma leitura crítica sobre os modos de vida locais e apontam caminhos para o enfrentamento das desigualdades raciais. O foco das obras é a promoção da cidadania da população negra e um convite à reflexão e à construção de políticas mais justas e inclusivas.

Outro estudo de relevância apoiado pela Fapema, é o da pesquisadora Ana Maria Conceição do Nascimento, que analisa a percepção de jornalistas negras maranhenses, sobre o mercado de trabalho no jornalismo de São Luís e Imperatriz. O projeto aborda discriminação, invisibilidade e estratégias de superação das dificuldades.

“Esta data é importante para nos lembrar da luta contra o racismo e o machismo, que afetam a vida de mulheres negras. Apoios como o da FAPEMA para pesquisas nessa temática, são necessários, pois ajudam a ampliar a visibilidade dessas mulheres e contribuem para o amplo debate”, frisou.

Com apoio da Fapema, a pesquisadora Ana Paula Fontes e Silva, desenvolveu estudo que propõe o diálogo entre a literatura e vivências contemporâneas. Ela investigou o empoderamento da mulher negra afrodiaspórica, a partir da obra “Americanah”, da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. O trabalho traz uma reflexão sobre as complexas camadas de identidade, resistência e afirmação da mulher negra.

Já em “Vozes no silêncio: A obra e a trajetória de Maria Firmina dos Reis, possibilidades na sala de aula”, o pesquisador Renato Kerly buscou a obra icônica desta maranhense, negra e primeira mulher a publicar um romance, que se tornou ícone da literatura brasileira. O trabalho foi implementado como projeto de leitura do Centro de Ensino Cruzeiro do Sul, escola localizado na Vila Mauro Fecury II, contemplando alunos do turno noturno, da modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA). “Essa inserção permitiu mostrar aos alunos como o estudo pode abrir caminhos e isso é algo para comemorar”, enfatizou.

No estudo “O mercado da música autoral e independente produzido por mulheres no Nordeste (São Luís/MA e Teresina/PI): Uma etnografia”, a pesquisadora Nayra Sousa, avalia a música autoral e independentes, quanto à trajetória de trabalho e processos de produção, sobretudo das mulheres negras.

Ela enfatiza que, “somente com apoio da Fapema está sendo possível a realização dessa pesquisa” e sobre a data comemorativa, a pesquisadora avalia ser “necessário refletir sobre os impactos do sexismo e do racismo, em um país de maioria negra e com uma população também de maioria de mulheres, para enfrentamentos da estrutura de histórico escravocrata e patriarcal”. Ela acrescenta que assim “avançaremos nas lutas coletivas das mulheres negras em suas singularidades”.

A Fapema garantiu apoio ao estudo “Mulher negra na matemática”, que desafia estereótipos históricos ao investigar a presença e as experiências de mulheres negras em um campo tradicionalmente dominado por homens brancos. Desenvolvido pela pesquisadora Serena Marques Pedrosa, o estudo traz à tona os obstáculos enfrentados por essas mulheres e suas contribuições muitas vezes invisibilizadas para o avanço da matemática no Brasil.

Parcerias

Além do financiamento direto às pesquisas, a Fapema tem sido parceira na promoção de eventos, seminários e publicações que discutem temas relacionados à equidade racial e de gênero, sobretudo no contexto maranhense. Essas ações vêm reforçando a importância da ciência como ferramenta de transformação social e de afirmação de identidades historicamente marginalizadas.

Também conhecido como Dia de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha é uma homenagem às mulheres negras e suas lutas por direitos e representatividade, além de marcar a importância da organização política e resistência dessas mulheres.

A valorização da mulher negra na ciência, na arte e na literatura, incentivada pelo apoio da Fapema, é um forte fator contribuinte para o reconhecimento da diversidade e promoção de políticas públicas pela igualdade.