
Fato curioso: naquele tempo, a filha de um ex-presidente sofreu desgaste avassalador. Agora, o filho de outro ex-presidente também passa por um processo semelhante como pré-candidato. Foi uma foto com dinheiro na Lunus que revelou tudo lá atrás. Desta vez, foi um áudio de Flavio Bolsonaro pedindo R$ 134 Milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro dono do Banco Master, que está preso. Vorcaro é acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões. Em 2002, a Polícia Federal apreendeu R$ 1,34 milhão em notas de R$ 50 no escritório da empresa Lunus Serviços e Participações Ltda., de Jorge Murad, marido da então governadora Roseana Sarney (PFL), pré-candidata à Presidência da República. O escândalo foi tamanho que, um mês depois, Roseana desistiu da candidatura, abrindo espaço para José Serra, do PSDB.
Pesquisas daquela época colocavam Roseana com 51% das intenções de voto, segundo o Data Folha, contra 39% de Lula. Depois do escândalo da Lunus, em apenas 20 dias, ela perdeu 16 pontos percentuais, caindo de 51% para 35%. Um mês depois, ela continua caindo e chegou a 28%, e não parou até sua desistência.
Roseana, Balsas, entrevista!
O prefeito nesse período era Jonas Demito, oposição a Roseana, e a governadora veio a Balsas no momento em que todos cobravam dela obras e serviços na região. Ela não quis ir ao gabinete do prefeito e fez uma reunião na Câmara de Vereadores, cujo presidente era Válber Dourado, aliado de primeira hora do deputado Chico Coelho e de Roseana. Ela sentou na cadeira do presidente da câmara e começou a falar, fazendo proselitismo político.
E eu estava lá, como repórter da boa e extinta TV Rio Balsas, na primeira fila da câmara - que era instalada no prédio da prefeitura, um espaço bem pequeno. Na mesa, também estava o prefeito Jonas Demito. Assim que terminaram os discursos, eu, com a canopla da Globo no microfone, parti para cima. No momento em que ela se levantava, eu já estava colado e comecei a inquirir a valente governadora. Acho que eu era mais ousado nessa época, sei lá. Com muito ímpeto, cheguei logo perguntando com a assessoria junto. Mas, como eu trabalhava para a TV do deputado e, bem ali do lado, estava o senhor Valdemar Cabral, como Gerente Regional do Cerrado - que me conhecia - furei o bloqueio. Fiz a primeira pergunta apenas para ela se sentir bem, pura estratégia. Na segunda, comecei a escalar: - “Governadora, a senhora será mesmo candidata à Presidência da República? -Perguntei porque até então a estratégia dela era esconder o jogo. Ela disse: - “eu ainda não sei, isso quem vai decidir é meu partido”. Resposta monossilábica, mas eu estava com todo gás e engatei a segunda: - Mas a senhora abriu um escritório político em Brasília. Isso demonstra que a senhora quer ser a candidata de Fernando Henrique Cardoso? Ela rebateu: – “não, isso foi uma atitude do PFL, eu nem sabia que eles iam abrir. ” A governadora começou a andar, o pessoal notou o desconforto e começou a me empurrar. Eu, de braço esticado, ainda engatei mais uma: – “Mas governadora, por que negar? A senhora quer ou não quer ser candidata? Nessa hora, Valdemar Cabral, gerente regional, interveio e colocou o braço na frente, me olhou e disse: - Já chega, ela tem que sair. A partir daí virou empurra-empurra e ela se retirou. Nem preciso explicar que essa entrevista nunca foi para o ar, ne? Poucos dias depois, estoura o caso Lunus e, em menos de dois meses, Roseana foi obrigada a abandonar a candidatura.
Flavio Bolsonaro vai cair?
O processo está acontecendo da mesma forma, a queda nas pesquisas é brusca. Se ele não parar de perder pontos percentuais, terá tudo para desistir da disputa ou ser levado a isso por seus aliados políticos.
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