
O "Sertanejo" medieval.
Na política, beijar a mão tem origem medieval e virou um costume da monarquia portuguesa, depois herdado pela corte imperial brasileira.
O beija-mão era uma cerimônia pública em que o monarca se colocava em contato direto com o vassalo, o qual, depois da devida reverência, podia aproveitar a ocasião para solicitar alguma mercê.
A cerimônia tinha grande significado simbólico, lembrando o papel paternal e protetor do rei, invocava o respeito pela monarquia e a submissão dos súditos.
Era grande o fascínio que exercia sobre o povo. No tempo de Dom João VI havia um protocolo preciso a ser seguido: a pessoa se aproximava, ajoelhava diante do rei, e beijava-lhe a mão estendida. Então levantava-se, fazia outra genuflexão e se retirava pelo lado direito.
O beija-mão no Brasil deu origem ao primeiro sistema de transporte público instalado no país. Dom João muitas vezes se deslocava até a Fazenda de Santa Cruz, distante da cidade, o que tornava o acesso difícil. Como muitos não dispunham de um transporte, em 1817 Sebastião Fábregas Surigué obteve o privilégio de explorar o serviço de transporte entre a cidade e Santa Cruz, e também para a Quinta da Boa Vista. Mas, claro, precisou beijar muito as mãos do Rei.
Na mais patética cena de bajulação, servilismo e submissão, o povo do Balsas, espantado, assistiu o prefeito publicamente beijar as mãos do governador.
Meu apoio foi decisivo para a eleição do atual prefeito. Mas não dou meu apoio a esse tipo de sabujice política, nem que o governador fosse eu. O povo sertanejo do Balsas, de sangue ou por adoção, não merece assistir envergonhado a isso.
O prefeito só faltou ficar de joelhos. Antes tivesse ele mesmo ficado, para não obrigar o povo, que ele representa, se sentir nesta humilhante condição.
Não estava neste evento, até porque não me sujeito estar ao lado de quem diminui a cadeira de prefeito do Balsas, ainda mais tendo sido ocupada pelo meu pai e irmão, que guardo em saudosa memória.
Peço desculpas ao povo do Balsas por ter colaborado, na eleição, com essa situação. E mais, se o prefeito não pedir desculpas ao povo balsense não precisa mais me procurar
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