
Agência Assembleia / Foto: Wesley Ramos
O Maranhão, inserido na Amazônia Legal, tem se destacado como território estratégico para iniciativas que conciliam preservação ambiental e desenvolvimento rural. Este é o foco do programa Florestas Produtivas, tema de entrevista exibida neste sábado (18), no ‘Maranhão no Campo’, da TV Assembleia. Para falar sobre a iniciativa, a coordenadora de campo do programa, Élida Bogéa, conversou com o apresentador Mário Porto.
O programa Florestas Produtivas integra uma política do Ministério do Desenvolvimento Agrário e busca recuperar áreas degradadas, ao mesmo tempo em que fortalece a agricultura familiar e comunidades tradicionais. Segundo a coordenadora, o programa já havia sido implantado inicialmente no Pará e chegou ao Maranhão devido à articulação local e ao potencial ambiental e social do estado.
Élida Bogéa destacou que o território maranhense possui características únicas, resultado do encontro entre Amazônia e Cerrado, abrigando comunidades quilombolas, extrativistas e agricultores familiares que já desenvolvem práticas sustentáveis, mas ainda carecem de apoio técnico e acesso a crédito.
Um dos principais pilares do programa é a implantação de sistemas agroflorestais, técnica que reproduz o funcionamento da natureza ao combinar diferentes espécies em uma mesma área. Essa diversidade permite produção escalonada ao longo do tempo, garantindo renda contínua aos agricultores.
Além de recuperar áreas degradadas, muitas delas impactadas pelo desmatamento e pela expansão desordenada da pecuária, o modelo contribui para a segurança alimentar e a preservação dos ecossistemas. “Quando se implanta um sistema agroflorestal, o produtor passa a colher no curto, médio e longo prazo, respeitando o ciclo natural das espécies”, explicou a coordenadora.
Diagnóstico e participação comunitária
O programa Florestas Produtivas começa com um diagnóstico detalhado das comunidades atendidas, etapa considerada essencial para entender as demandas locais e adaptar as ações à realidade de cada território. A proposta é que as comunidades participem ativamente da construção das soluções.
Entre as ações previstas estão mecanização da produção, assistência técnica, capacitação de jovens e incentivo ao empreendedorismo rural. O foco em juventude e mulheres é um dos diferenciais da iniciativa.
“A agricultura familiar não precisa mais ser sinônimo de sofrimento. Queremos que o campo seja visto como espaço de oportunidade e geração de renda”, afirmou Élida Bogéa.
O programa também prevê a criação de viveiros de mudas, casas de sementes e unidades demonstrativas, onde os agricultores poderão acompanhar na prática o funcionamento das tecnologias sustentáveis.
Outro destaque é o incentivo financeiro a projetos inovadores. Cerca de 200 propostas de jovens empreendedores rurais devem ser selecionadas para receber apoio e sair do papel.
A proposta do programa Florestas Produtivas se insere em um contexto global de enfrentamento às mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que busca promover inclusão social e dignidade no campo.
Para a coordenadora, o maior desafio é integrar preservação ambiental e desenvolvimento econômico de forma equilibrada, respeitando as especificidades locais. “O programa responde a uma urgência climática, mas também social, produzir alimentos, gerar renda e recuperar o meio ambiente ao mesmo tempo”, concluiu.
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