
Com o objetivo de fortalecer os serviços de saúde na identificação, manejo e prevenção da tuberculose, o Governo do Estado promoveu, na quinta-feira (23), a palestra “Infecção Latente da Tuberculose (ILTB)”, na Maternidade de Alta Complexidade do Maranhão (MACMA). A atividade foi conduzida pela Coordenação de Vigilância de Doenças Transmissíveis da Secretaria de Estado da Saúde (SES) e reuniu profissionais da unidade como estratégia de atualização dos protocolos de atendimento na rede estadual.
“Nós estamos fazendo uma atualização dos profissionais de saúde em relação à tuberculose. A iniciativa atende a determinações do Ministério da Saúde, que tem preconizado um novo tratamento chamado de Infecção Latente da Tuberculose, cujo foco é a quebra da cadeia de transmissão”, pontuou a enfermeira e técnica de Vigilância Epidemiológica na Coordenação de Vigilância das Doenças Transmissíveis da SES, Suellen Feitosa.
Entre os pontos abordados na palestra estão diagnóstico, tratamento preventivo e a importância da vigilância ativa para interromper a cadeia de transmissão da doença. No novo protocolo, gestantes, além de contatos próximos de pessoas diagnosticadas, foram elencadas como público-alvo e grupo de risco.
Enquanto a tuberculose ativa é a forma da doença em que há sintomas e possibilidade de transmissão, a infecção latente por tuberculose ocorre quando o bacilo está presente no organismo, mas permanece inativo. A pessoa não apresenta sintomas, não transmite a doença e, em muitos casos, só descobre a infecção por meio de testes específicos, como a prova tuberculínica (PPD) ou exames de sangue. Mesmo sem sinais clínicos, há risco de reativação, especialmente em situações de baixa imunidade. Por isso, o tratamento da forma latente é indicado como medida preventiva, evitando a progressão para a tuberculose ativa e contribuindo para a redução de novos casos.
Acompanhando a palestra, o diretor clínico da MACMA, Clemilson Alves, destacou que o tratamento busca ganhos em tempo e qualidade de vida. “Anteriormente, trabalhávamos com um tratamento que durava de seis a nove meses, mas agora temos a Rifapentina mais Isoniazida, que chamamos de 3HP. Nesse tratamento, o paciente toma a medicação uma vez por semana, durante três meses, totalizando 12 doses. A adesão é muito mais fácil e, assim, evitamos que o paciente adoeça e, consequentemente, transmita a doença para outras pessoas”.
A palestra sobre Infecção Latente da Tuberculose será levada a todos os municípios maranhenses por meio das Unidades Regionais de Saúde (URS). Com isso, o estado busca ampliar a adesão ao tratamento e diminuir o número de desistências. Entre as ferramentas a serem utilizadas estão a qualificação dos profissionais das unidades, assim como a realização de webinários.
Dados
De acordo com dados recentes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN-SES), no período de 2021 a 2025, foram notificados 17.874 casos da doença no Maranhão. No ano passado, foram notificados 3.952 casos de tuberculose, com concentração de 34% na capital, São Luís. Até o presente mês de 2026, foram notificados 802 casos de tuberculose no estado e os cinco municípios com maior número de casos foram: São Luís (217), Timon (47), Imperatriz (44), São José de Ribamar (37) e Paço do Lumiar (30).
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