
“Quando cheguei aqui, tinha médico e enfermeiro a toda hora. Fui bem atendida.” O relato é de Claudenice Conceição, de 50 anos, moradora de João Lisboa, um dos municípios beneficiados pela entrega do Hospital da Região Tocantina (HRT). A unidade de saúde está há um mês em funcionamento e é gerida pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com o Instituto ACQUA, realizando internações, cirurgias de grande porte, procedimentos em hemodinâmica e o início do atendimento pediátrico, reduzindo a necessidade de deslocamento de pacientes para outras regiões do estado.
Para a paciente Elmira Sousa, moradora de Imperatriz, a rotina de atendimento marcou sua passagem pela unidade. “Não tenho do que me queixar. Toda hora tem uma enfermeira para cuidar da gente”, contou.
O primeiro mês também marcou o início do funcionamento da pediatria. Lunna Maria Lima, de 7 anos, vinda de Barra do Corda, deu entrada no hospital no dia 16 de janeiro com quadro de hematoquezia e anemia aguda. Após avaliação clínica, exames de imagem e acompanhamento especializado, a criança apresentou evolução positiva e foi transferida da UTI para a clínica pediátrica.
A mãe, Simone Morais, destacou o acolhimento recebido. “Desde a portaria até o médico, todos atenderam com respeito. Eu agradeço imensamente”, afirmou, mãe da primeira paciente pediátrica da unidade.
Nesse período inicial, o hospital contabilizou 81 internações e realizou 15 cirurgias, incluindo procedimentos como clipagem de aneurisma, apendicectomia, decorticação pulmonar, drenagem de hematoma subdural, implante de marcapasso e broncoscopia com biópsia. Ao todo, 49 pacientes receberam alta médica, sendo 42 em janeiro e sete ainda em dezembro. Além disso, foram realizados 60 procedimentos em hemodinâmica, entre eles angioplastia coronária, embolização cerebral e cateterismo, consolidando o perfil da unidade como referência em alta complexidade.
O primeiro implante de stent modificador de fluxo da Região Tocantina feito pelo SUS foi realizado no HRT. O stent modificador de fluxo atua desviando o fluxo sanguíneo da artéria principal, reduzindo a circulação no saco aneurismático e promovendo sua oclusão progressiva por trombose interna. Já no dia 21 de janeiro, a pediatria registrou a primeira alta médica do setor. O paciente foi Ethan da Silva Chagas, de sete meses, morador de Grajaú.
A mãe, Iane Cristina Nayara da Silva, também ressaltou a assistência prestada. “Eu cheguei com ele com infecção. Médico, enfermeira, todo mundo deu atenção. Só tenho a agradecer”, disse.
Funcionamento
O diretor-geral do hospital, Luis Fernando Amorim Ramos, explicou que o HRT opera sob o modelo de hospital regulado, voltado para casos de média e alta complexidade. “Já realizamos procedimentos que não eram feitos na rede pública em um curto espaço de tempo. Isso mostra que estamos no caminho certo, com crescimento gradual e responsável”, completou.
Antes da abertura do hospital, pacientes da Região Tocantina precisavam se deslocar até São Luís ou mesmo para outros estados em busca desse tipo de atendimento. Agora, serviços especializados em áreas como cardiologia e cirurgia passam a ser ofertados mais próximos da população.
Com estrutura de 153 leitos, sendo 33 de UTI, distribuídos entre alas adultas e pediátricas, o hospital conta ainda com duas salas de hemodinâmica e um parque completo de diagnóstico por imagem, incluindo tomografia, ressonância magnética, raio-X digital, ultrassonografia e eletrocardiograma.
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